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Brasil

160 milhões de views em um dia: por que o TSE quer saber como o vídeo de Nikolas Ferreira chegou tão longe

O TSE deu 12 horas para a Meta explicar o alcance de Nikolas e outros perfis. Entenda o que é algoritmo, o que é impulsionamento e o que está em jogo.

Por Redação Fala, Padrin. · · 4 min de leitura

O deputado Nikolas Ferreira discursando na tribuna da Câmara dos DeputadosBrasil

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0, via Wikimedia Commons)

Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o Nordeste, postado no Instagram, teria passado de 160 milhões de visualizações no mesmo dia, segundo reportagem da Folha de S.Paulo citada pela CNN. É mais do que posts de Neymar, Messi ou Cristiano Ronaldo costumam fazer. Nikolas tem cerca de 25 milhões de seguidores.

Nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 12 horas para a Meta, dona do Instagram e do Facebook, explicar como esse alcance aconteceu. A pergunta que está no ar é simples, e a resposta não é: quem levou esse vídeo para tanta gente?

O que o TSE decidiu, em ordem

Essa história teve dois capítulos em uma semana:

Data O que aconteceu
14/10 A coligação de Lula aciona o TSE contra a Meta e questiona o alcance de Nikolas Ferreira.
19/10 O TSE proíbe o impulsionamento pago de posts de Nikolas e de Pablo Marçal até o fim do segundo turno (25/10) e manda as plataformas não darem tratamento privilegiado a essas contas.
22/10 O TSE dá 12 horas para a Meta explicar de onde vieram as visualizações desses perfis.

Um detalhe importante: aceitar o pedido para investigar não significa que o tribunal reconheceu alguma irregularidade. Os investigados têm prazo para se defender, e a decisão ainda vai ao plenário do TSE.

Impulsionamento x algoritmo: qual é a diferença?

Essa é a confusão que mais aparece nos comentários.

Impulsionamento é quando alguém paga para o post aparecer para mais gente. Na eleição, ele tem regras: só candidatos, partidos e coligações podem impulsionar, e o anúncio precisa ser identificado. Foi isso que o TSE barrou para Nikolas e Marçal na segunda (19).

Algoritmo é a parte que ninguém paga. É o sistema da rede social que olha cada post e decide se vale mostrar para quem não segue aquele perfil, na aba Explorar, nos Reels e nas sugestões. Quanto mais gente comenta, compartilha e assiste até o fim, mais o algoritmo empurra.

A decisão de quinta mira justamente essa segunda parte. O TSE quer saber quanto do alcance veio de seguidores, quanto veio de recomendação da plataforma, por quais áreas do app o vídeo circulou e quantas pessoas diferentes ele de fato atingiu (que é diferente de quantas vezes foi reproduzido).

O que cada lado diz

A campanha de Lula afirma que os vídeos de Nikolas têm um desempenho muito acima do normal. Segundo números apresentados ao TSE, a mediana de visualizações por seguidor seria 17,2 vezes maior que a de perfis comparáveis. A campanha diz que isso indicaria tratamento desigual. Esse dado, sozinho, não prova favorecimento: conteúdo muito compartilhado também explode.

A Meta diz que não usa critério político, que aplica as mesmas regras a todos os candidatos e que o alcance depende do engajamento. Ou seja: se o público interage muito, o post vai longe, seja de quem for.

Nikolas Ferreira não se manifestou sobre a decisão desta quinta até a publicação desta matéria. Se ele se pronunciar, a gente atualiza.

A gente explicou em vídeo como as plataformas decidem o que aparece no seu feed:

Vídeo do Fala, Padrin. Você escolhe o que vê? Talvez não. · ver no YouTube

E o que isso tem a ver com você?

Mais do que parece. Boa parte do que aparece no seu celular não vem de quem você segue: vem da escolha do algoritmo. Na eleição, isso significa que o que você vê sobre os candidatos pode depender menos do que você procurou e mais do que gerou reação.

Duas coisas práticas:

  1. Em qualquer post, toque nos três pontinhos. Muitas vezes aparece a opção "Por que estou vendo isso?", que mostra se foi recomendação ou anúncio.
  2. Post pago de candidato vem marcado como "Patrocinado" ou "Pago por". Se não tem essa marca, ele chegou até você pelo caminho orgânico.

A resposta da Meta deve chegar ao TSE nas próximas horas. O que ela disser pode virar um precedente importante: pela primeira vez, uma plataforma teria de mostrar, em detalhe, como o algoritmo distribuiu o conteúdo de políticos durante uma eleição.

E você: acha que a rede social deveria ser obrigada a explicar por que um vídeo bomba?

De onde a gente tirou isso

  1. CNN Brasil — TSE dá 12h para Meta explicar alcance de perfis de Nikolas, Marçal e Flávio
  2. Estado de Minas — TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance de vídeo de Nikolas Ferreira
  3. Correio da Manhã — TSE barra impulsionamento de Nikolas e Marçal
  4. Correio da Manhã — Lula aciona TSE contra Meta e questiona alcance de Nikolas Ferreira
  5. Plantão Brasil — TSE exige que Meta detalhe distribuição de vídeo de Nikolas Ferreira

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