Cultura & Entretenimento
BTS no Brasil: menos telões e um mapa diferente. O fã que pagou tem direito a quê?
O MP de SP deu 48h para a produção do BTS explicar o mapa dos setores. Entenda a polêmica dos telões e o que a lei garante a quem comprou.
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Os três shows do BTS no MorumBIS, em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, estão esgotados há meses. Agora, a menos de uma semana da estreia, o que ocupa as redes não é a setlist: é a dúvida de muito fã sobre se vai receber o que comprou.
Nesta quinta (22), o Ministério Público de São Paulo deu 48 horas para a prefeitura, a Ticketmaster e a Live Nation explicarem diferenças no mapa dos setores. E, desde o começo da semana, os fãs reclamam da quantidade de telões.
A polêmica dos telões
A reclamação começou nos shows anteriores da turnê na América do Sul. Em Bogotá, na Colômbia, os fãs perceberam que a estrutura tinha menos telões. Primeiro acharam que era por causa do tamanho do estádio, mas a mesma montagem se repetiu em estádios maiores. Quando a turnê se aproximou do Brasil, quem comprou ingresso foi conferir o mapa da compra.
Segundo os fãs, o mapa mostrava 12 telões. Para quem está longe do palco, como na arquibancada ou no fundo da pista, os telões laterais são o que permite ver o show de verdade. A Live Nation confirmou que o formato da turnê sul-americana não tem telões laterais, mas não explicou o motivo da mudança.
O mapa que mudou
O segundo problema surgiu num documento oficial. O mapa do evento publicado no Diário Oficial de São Paulo mostra duas áreas perto do palco, a PIT 1 e a PIT 2, que não estavam no material apresentado na venda. Quem comprou pista ou setor próximo quer saber se ficou mais longe do que imaginava.
Foi isso que levou a Promotoria de Defesa do Consumidor a pedir explicações à prefeitura, à Ticketmaster e à Live Nation, além do mapa definitivo. A Live Nation diz que nada mudou em relação ao que foi anunciado nos canais oficiais.
O que o Código de Defesa do Consumidor garante
Dois artigos são a base da discussão:
- Artigo 30: toda informação ou publicidade suficientemente precisa sobre o produto ou serviço faz parte do contrato. Ou seja, o que estava no mapa e no anúncio da venda conta como promessa.
- Artigo 35: se o fornecedor não cumprir a oferta, o consumidor pode escolher entre exigir o cumprimento, aceitar algo equivalente ou cancelar e receber o dinheiro de volta corrigido, com possível indenização por perdas e danos.
Na prática, cada caso depende do que exatamente foi prometido e do que muda na experiência de quem comprou. Uma mudança pequena tende a ser tratada de um jeito, uma mudança que tira a visão do palco, de outro.
Se você tem ingresso: o que fazer agora
- Tire print de tudo: o mapa que aparecia na compra, o e-mail de confirmação, a descrição do setor. Se ainda tiver acesso à página de venda, salve.
- Acompanhe os canais oficiais da Live Nation e da Ticketmaster. A resposta ao MP deve sair nos próximos dias.
- Se achar que foi prejudicado, reclame primeiro com a empresa, por escrito, e guarde o protocolo.
- Não resolveu? Procon ou consumidor.gov.br. Se for o caso, o Juizado Especial Cível aceita causas de menor valor sem advogado.
- Cuidado com o app de ingressos: segundo os termos da Ticketmaster, revenda irregular e uso de robôs podem levar ao cancelamento do ingresso. Não compre de terceiros fora das plataformas oficiais.
Se você vai ficar longe do palco, um binóculo ajuda a aproveitar mais. Só confira antes se a entrada com ele é permitida:
Você vai a algum dos shows? Já viu mudança parecida em outro evento que você comprou?
De onde a gente tirou isso
- POPline — Shows do BTS no Brasil entram na mira do MP após divergência em mapa de setores
- GPS Brasília — BTS no Brasil: produtora quebra o silêncio após revolta dos fãs com telões
- Billboard Brasil — Fãs alegam 'sumiço' dos ingressos do aplicativo
- Consumidor Moderno — Cancelamento de show: direitos do consumidor
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990)
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