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Brasil

Exército do Lula: por que um ministro do TSE barrou o presidente do próprio tribunal na véspera da eleição

O canal de Janones no WhatsApp já caiu e voltou duas vezes. Entenda a briga dentro do TSE, o que é fato e o que cada campanha diz.

Por Redação Fala, Padrin. · · 5 min de leitura

Mão segurando um celular com um aplicativo de mensagens abertoBrasil

Foto ilustrativa: jonas.svidras / Flickr (CC0) · ver original

Na véspera do segundo turno, a briga mais quente da eleição não está num debate. Está dentro do Tribunal Superior Eleitoral. Na sexta (23), o ministro Floriano de Azevedo Marques deu uma liminar que proíbe o presidente do próprio TSE, Kassio Nunes Marques, de suspender sozinho o canal "Exército do Lula" no WhatsApp.

Parece detalhe de bastidor. Não é: a decisão mexe com a pergunta de quem pode tirar do ar um canal político com milhões de seguidores na reta final da campanha.

O vaivém do canal, dia a dia

A história começou no dia 7 de outubro, quando a campanha de Flávio entrou com uma ação de investigação eleitoral (Aije) contra Janones e a chapa de Lula. Esse tipo de ação vai para a Corregedoria do TSE, comandada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Data O que aconteceu
10/10 Cueva dá prazo para os investigados se defenderem. Minutos depois, a campanha de Flávio pede à Presidência do TSE uma medida administrativa para suspender o canal.
11/10 Nunes Marques suspende o canal. Horas depois, Cueva derruba a suspensão e manda o caso ao plenário.
13/10 Nunes Marques suspende de novo, agora porque o endereço do canal não tinha sido informado formalmente à Justiça Eleitoral.
14/10 A campanha registra o canal no TSE e ele volta ao ar à noite.
23/10 Floriano proíbe a Presidência de suspender o canal sem aval do plenário.

Por que dois ministros brigam por isso

O nó é a diferença entre poder administrativo e processo judicial.

Nunes Marques se apoiou num compromisso que a Meta, dona do WhatsApp, assinou com o TSE em setembro: um plano para reduzir riscos à eleição, que prevê suspender canais que repetem afirmações que o tribunal já considerou falsas. Segundo o Conjur, ele disse que a campanha adversária denunciou o canal centenas de vezes sem reação visível da plataforma, e que a ideia era fazer o WhatsApp cumprir o que prometeu, não punir Janones.

Floriano viu de outro jeito. Para ele, a Presidência pode fiscalizar as plataformas, mas não tem competência para suspender canal de pessoa física por conta própria. Suspeitas de irregularidade, diz ele, têm que ser apuradas num processo, com defesa. Segundo o Terra, ele também fixou multa diária de R$ 50 mil ao Facebook (Meta) se a ordem for descumprida e escreveu que as "missões" (ações combinadas para espalhar posts) não são necessariamente ilegais.

O que é fato e o que é versão

Os dois lados da discussão

Quem critica a liminar lembra que Floriano chegou ao TSE em 2023, na vaga de jurista, nomeado por Lula, e diz que ele protegeu um canal aliado do presidente. Quem a defende lembra que Nunes Marques chegou ao STF indicado por Bolsonaro e diz que ele agiu sozinho, a pedido da campanha do filho de Bolsonaro, e passou por cima de um processo que já estava com a Corregedoria.

As duas acusações usam a mesma lógica: olhar quem nomeou o juiz. O que a decisão diz, na prática, é mais técnico: uma medida forte como tirar do ar um canal de 4 milhões de pessoas deve ser tomada pelo colegiado, num processo, e não por um ministro sozinho. Em nota citada pela Gazeta do Povo, o TSE disse que a Presidência só pediu às plataformas reforço de equipe e atuação igual para todos, e criticou as "ilações" feitas a partir dos despachos.

A briga do alcance nas redes não é nova nesta eleição. Do outro lado, o TSE também pediu explicações sobre o alcance de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira, como a gente contou aqui.

Vídeo do Fala, Padrin. Você escolhe o que vê? Talvez não. · ver no YouTube

O que muda pra você

Para quem vota no domingo, nada muda na urna. Mas vale um lembrete prático: canal de campanha, de qualquer lado, é propaganda, não noticiário. Ele mostra o que ajuda o seu candidato e esconde o que atrapalha.

  1. Recebeu algo bombástico no WhatsApp? Procure a mesma informação num veículo jornalístico ou no site oficial antes de repassar.
  2. Promessa de corte de benefício, de qualquer lado? Confira no plano de governo registrado no TSE (está no site DivulgaCand).
  3. Dúvida sobre como votar no domingo? A gente juntou as respostas nesta matéria.

Na sua opinião: tirar do ar um canal político na véspera da eleição deveria ser decisão de quem?

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Quem deve poder tirar do ar um canal político na véspera da eleição?

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De onde a gente tirou isso

  1. Agência Brasil — Ministro do TSE proíbe suspensão do canal Exército do Lula (23/10/2026)
  2. Agência Brasil — Canal Exército do Lula volta ao ar após registro no TSE
  3. Conjur — Kassio suspende, mas Cueva restabelece canal de apoio a Lula no WhatsApp
  4. Terra — Ministro do TSE barra nova suspensão do canal e prevê multa de R$ 50 mil
  5. Gazeta do Povo — Ministro atravessa Nunes Marques e proíbe suspensão do canal
  6. Poder360 — Canal Exército do Lula volta ao ar após decisão de Nunes Marques
  7. TSE — Floriano de Azevedo Marques e André Ramos Tavares são empossados ministros efetivos (2023)

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